• Laura Assis

Ana, Carol, Carolina (parte 1) - A princesa do Patriarcado

Atualizado: 23 de Dez de 2020

Ao vinte e nove de janeiro de mil novecentos e oitenta e oito, nascia uma pequena e linda garotinha a quem docemente chamaram “Ana Carolina”. A primeira filha, não programada, mas que seria muito amada e viveria sob a proteção do patriarcado por quase toda a vida, até que abrisse os olhos e com seus próprios pés, tão pequenos e delicados àqueles poucos instante de vida, pudesse caminhar sozinha.

Nascida e criada em cidade pequena, em meio à uma família muito grande de ambos os lados, com seus olhos quase verdes Carolina era uma criança como outra qualquer. Mais do que tudo, havia nascido menina e, aos sete descobriria o “amor”, aos doze daria seu primeiro beijo, aos dezesseis perderia a virgindade, então, poucos anos depois, se casaria.

Ensinaram Carolina a sentar-se de pernas cruzadas e comer silenciosamente, sem fazer bagunça à mesa. Obedecer sempre e não questionar. Aceitar que os homens são sempre bravos quando se é criança, mas é o jeito que eles tem de te amar e proteger. Aceitar que, se os meninos te tratam mal na escola, é porque gostam de você. E, acima de tudo, que não é possível, em hipótese alguma viver sem eles.

Entre tantos ensinamentos, absorveu que mulheres nascem, crescem, estudam, se casam e têm filhos. Meteu na cabeça que havia nascido para amar. E, de fato, havia nascido para o amor, mas não para amar da forma como pensava. Sem marido não seria feliz? Sem receber o amor de um homem era impossível estar completa? Não era possível que vivesse plena sem ter ao seu lado um namorado, um companheiro, que cuidasse dela e a protegesse?

Havia sido criada com toda a educação, aprendeu a cozinhar, cuidar da casa e, mais tarde, ensinaram-lhe a trocar fraldas e cuidar de bebês. Sua vida era um estágio, um estudo intensivo para se formar naquilo para o qual havia nascido: ser esposa e mãe. E, dentro de Ana, a maternidade já gritava aos quatorze e meio, quando nasceu sua irmã mais nova. Aos dezesseis já pensava em enxovais e em como seria a cozinha de sua casa. E aos dezenove terminou com seu primeiro amor porque ele não esboçava plano algum que abrangesse casamento e filhos.

Mas a vida de Carol não seria assim perfeita: amor, casamento, bebês. Havia dentro dela um sentimento que gritava desesperadamente e, até que ela aprendesse a ouvi-lo, seu coração seria surrado e maltratado até quase sucumbir…

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