• Laura Assis

Exegese

Não somente como as aves migram e os cães adormecem mais facilmente com a barriga cheia, mas também como existe a cheia das marés e o sangue no olhar do vampiro.

Não apenas como dois e dois são quatro e sentimento dividido se multiplica, mas ainda como, verdadeiramente, as aves migram para escapar do frio do inverno.

Assim como não se pode contar as estrelas sem perder a conta ou as gotas de água salgada do Oceano Pacífico, como não se chega ao fim de uma dízima periódica...

Não existiriam palavras - em nenhum idioma - para expressar o quanto eu amei os sonhos que você me deu, o sonho que era estar ao lado seu.

Não existiriam expressões - e repito, em nenhum idioma - que pudessem mensurar o quanto meu sorriso era apenas uma pequena amostra da felicidade que explodia em meu coração, como fogos de artifício nos dias de novo ano.

Não existiriam números para demonstrar com exatidão quantos foram os beijos que eu imaginei, que eu desejei e que, em pensamento, sozinha, eu ensaiei.

Não se encontrariam elementos químicos que, combinados, produzissem todo aquele calor que se produzia entre nós e, em questão de segundos, entrava em combustão...

Não se poderia comprovar, nem pela História - menos ainda pela Filosofia, que cada capítulo escrito entre nós foi responsável pelo amor que foi crescendo até se tornar transcendental, invisível e ao mesmo tempo tão nítido.

Não, não existe nenhum ramo da Biologia, da Anatomia, sequer da Medicina, que seja capaz de explicar como ainda estou vivendo se meu coração deixou o meu peito para ir viver no seu, junto do seu coração.

E nada, nem Platão, nem Neruda poderiam traduzir em palavras este amor platônico, recíproco e apaixonado, que desaparece na neblina da sua ausência mas se manifesta de maneira inigualável a cada amanhecer...

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