• Laura Assis

Extraordinariamente comum

Acordei e percebi que posso sorrir, embora não sem dor, ao olhar para o que vivi por você. Sim, posso sorrir, isto é maravilhoso depois de dezessete meses sem conseguir pensar em você sem abaixar os olhos e engolir o choro.

Ninguém é obrigado a amar de volta. Percebi que era quase uma bobagem o meu sofrimento. Claramente sinto agora a leveza de encarar a rejeição apenas como fato corriqueiro da vida, ao que qualquer um está sujeito.

Eu achava que o amor que sentia por você fazia de mim uma mulher extraordinária e não compreendia muito bem as razões pelas quais você não estava aqui. Mas hoje, depois de estar do outro lado da moeda, de ver cara a cara o que é receber amor de alguém que acho simplesmente o máximo, mas não consigo amar, compreendo que nossa afinidade sexual não nos tornava únicos ou privilegiados, não nos transformava em um casal, não tinha nada a ver com amor.

Talvez tenha sido uma tolice insistir por tantos meses em algo que existia só dentro de mim, em um amor tornava extraordinário somente aquilo que eu amava e não a mim mesma. O amor faz esse tipo de coisa: torna inimaginável, intransponível a grandeza do ser amado. Mas esta grandeza que enxergamos no outro nem sempre reflete em nós, nos tornando da mesma forma grandiosos para o outro.

Chego a pensar que seja algo bem matemático. Assim como dois vezes dois são quatro ou dois vezes zero é igual a zero. Amor multiplicado, obviamente, cresce, transborda. Mas se ele sai da gente e dá de cara num muro de indiferença ou desprezo... enfim, todo mundo sabe o que acontece!

Acho que eu compliquei demais, sério! Era só ter saído de mansinho. Mas eu não entendia o que estava acontecendo porque você me dava pistas de que todo o sentimento era recíproco. Então, eu tentava outra vez e, no final, eu sempre acordava sozinha e a dor foi ficando cada vez maior do que o amor.

Até que ele não resistiu e levantou sua bandeirinha branca, dizendo que aceita, que compreende, que não importa mais.

E hoje, de bandeira estendida no coração, eu aceito que você não me amou simplesmente porque não amou. Não existe nenhuma explicação mistica ou extraordinária por trás disto. Extraordinário, nesta história toda, foi somente a sua capacidade de me fazer acreditar, mesmo contra todas as probabilidades, de que eu seria amada por você. Extraordinário, mesmo, foi o amor que eu senti por você e agora não sinto mais...

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