• Laura Assis

Inabilidade

Eu gosto de lembrar dos teus pés à beira da piscina Aquele céu azul de janeiro combinando com os teus olhos Ia ao supermercado, caminhava entre as bebidas Suas mensagens "não esqueça minha cerveja" "traz queijo, meu amor" ou "volta, que tá frio na rua" Se era eu quem ficava em casa, mensagens infinitas Lembretes intermináveis sobre tudo o que faltava O teu jeito de brincar enquanto cozinhava Eu, inutilmente tentando escrever algo que prestasse Me inspirava, me enlouquecia e não me deixava colocar No papel tudo o que despertava em mim, sensações Mas jamais me irritava, o que era incompreensível Hoje a casa silenciosa ecoa nossas risadas Tuas roupas ainda no varal, que me recuso a recolher Busco teu cheiro n'algum colarinho, em vão Pequena distância física, imensa, intransponível Barreira que se instalou entre nós na última semana Tomo sua cerveja e cozinho sozinha, em silêncio Vago em silêncio no supermercado Não sei mais do que esta casa precisa, se você não voltar

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