• Laura Assis

O punhal de Julieta

Desde que a minha alma tocou a sua, desde que ela se deixou invadir pela energia cósmica que vinha de você, tem sido impossível enxergar a alma de outra pessoa. É sempre um encontro vazio, seguido de outro e de outro. Não é que os outros sejam ruins, até porque você nunca foi tão bom assim...

A verdade é que eu senti muito mais do que eu podia de fato enxergar. Não eram beijos, não eram abraços apenas. Eram como peças de quebra cabeça que se encontravam e se encaixavam perfeitamente, sem a necessidade de ajustes ou esforço. Se as palavras não existissem, se nada mais existisse além do momento em que nosso quebra cabeça se completava, o mundo seria um lugar perfeito. Porque o encaixe era perfeito, a sensação de completude, de saciedade e ao mesmo tempo o anseio por mais, eram tão intensos, eram verdadeiros restituidores de tudo o que por ventura tivéssemos perdido um do outro.

Cada pequeno sorriso, suspiro, olhar... Era o bastante para iluminar um novo dia, para reconstruir qualquer ponte que houvesse se quebrado. Olhares que se tornavam faróis na escuridão, me guiando na neblina de não saber o que viria amanhã. Olhares que me desmanchavam, que me refaziam. Olhares...

Olhares que jamais se cruzaram novamente, encerrando uma história que parecia ter nascido para ser a mais linda já vivida...

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