• Laura Assis

Quem é você?

Atualizado: Jun 1

Tenho um amigo que diz que eu sou um ser humano ímpar. Eu sempre tentei pensar como ele, acreditar que eu tinha um diferencial, que não era apenas mais um ser humano pequenininho no meio de outros bilhões...

As três últimas semanas têm sido diferentes pra mim. Eu me propus a olhar com mais amor, com mais tolerância e paciência pra dentro de mim. Então, tenho caminhado reflexiva e introspectiva. Tenho me reavaliado, sem me julgar. Tenho me compreendido, sem me castigar.

Tenho procurado perceber porquê costumo absorver determinadas situações mesmo sabendo que deveria apenas passar por elas, dizer "olá" e deixá-las ir...

Eu percebi que costumo me agarrar a determinados sentimentos, palavras e pessoas que não modificam, não edificam e não ajudam em nada o meu crescimento. Não me culpei por isto, apenas estou tentando aprender a não repetir.

Mas, voltando ao cerne da questão, este meu amigo muito querido sempre me diz que sou esse ser humano ímpar. E eu sei, quando penso com calma, que ele não é do tipo que inventa coisas para colocar panos quentes nas situações. Ele é meu amigo leal, desde a infância (ou pré adolescência, como queiram). Eu sempre ouvi isso dele e pensei "que legal, ele me acha ímpar mesmo". Mas eu nunca havia parado para pensar se EU me achava ímpar, se eu concordava com ele. Comecei a pensar nos meus aspectos, detalhes, características, personalidade...

Eu uso um relógio de pulso em que não consigo ver as horas simplesmente porque ele me traz à lembrança aventuras e dias leves, cheios de carinho e amizade. Eu tenho uma foto da minha avó quando ela era jovem no criado mudo do meu quarto porque eu gosto de pensar que se ela estivesse aqui seríamos grandes amigas e ela teria orgulho de mim. Eu estou sempre, sempre que posso, perto dos meus pais e cultivo a amizade da minha mãe porque sei que jamais terei uma amiga igual a ela na minha vida. Mesmo quando ela não estiver mais aqui, ninguém me amará como ela, me apoiará como ela e será honesta comigo como ela. Eu gosto de ouvir Jazz enquanto cozinho, canto blues quando tomo vinho e me acostumei a estar sozinha e aprendi a amar minha própria companhia.

Eu vivi dias difíceis - como todo mundo vive - e fui subjugada por um amor que, mais tarde eu descobri, não era amor. Fui violentada no corpo e no coração por este "amor". Mas eu aprendi o que fazer com essa bagagem, com aquele "amor" e não saí machucando as pessoas com a minha dor. Eu percebi que era preciso me recolher, dar um tempo e depois voltar. Talvez pareça um despropósito dizer que eu ressurgi das cinzas. Mas não é, acredite!

Eu realmente amo as pessoas, deixo meu cachorro ser o dono da casa, sou extremamente organizada porque acredito que de bagunça já basta a interna. Eu aprendi Latim, mas não sei inglês. Eu entendi que, para meu próprio bem, eu precisava dar um tempo na bebida, no café e me alimentar melhor. Eu senti falta de Deus como se Ele fosse meu melhor amigo que se mudou de cidade e então eu "viajei" até Sua Casa e me reencontrei com Ele... E foi como nos velhos tempos, Ele cuidando de mim, eu me segurando n'Ele... E eu percebi que não era como "Se fosse" meu melhor amigo, porque Ele realmente é.

Eu gosto de fazer “festa” para as pessoas. Gosto de ver como elas se sentem ao perceber que são amadas. Eu amo todo mundo como Jesus disse para fazer. Eu não separo pessoas, não coloco rótulo nelas, não tenho preconceitos, reservas ou qualquer coisa parecida com isso. Eu já me perdi no caminho, mas eu o encontrei com ajuda dos meus amigos, da minha mãe - que também são como a mão de Deus me guiando para o que EU sempre achei justo e correto. Eu também sou carente, um pouco dramática e imediatista. Sou ansiosa, tenho minhas prioridades e sinto dificuldade em fazer as coisas quando elas não podem ser feitas do meu jeito. Tenho o hábito de supervalorizar coisas tolas e reagir demais a coisas que não são tão graves ou importantes.

Eu poderia passar dias e dias escrevendo, neste exercício de "quem eu sou", tentando definir se sou mesmo este ser humano ímpar que meu fiel escudeiro sempre fala. Mas acho que por hoje já foi o suficiente. No entanto, eu gostaria de perguntar...

E você? Quem você é?

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