• Laura Assis

Quem eu REALMENTE sou?

Eu sempre fui uma pessoa super animada, desinibida e muito alegre. Talvez essas características sejam as que mais mascaram a dor que a gente carrega por dentro quando passa pela depressão/ansiedade. As pessoas perguntam “Nossa, mas você é tão alto astral, tem certeza que é depressão?” E eu ficava dizendo pra mim mesma que talvez não fosse, que talvez o médico estivesse enganado ou que depressão e ansiedade fosse o diagnóstico mais fácil diante da ausência de resultados conclusivos nos meus exames. Esse tipo de pergunta, vinda de quem geralmente não sabe que ansiedade pode se tornar uma doença, além de não ajudar, atrapalha!

Anos antes, muitos anos antes do que eu costumo chamar de “meu pior inverno”, eu já tinha ansiedade e uma certa tendência à depressão. Eu me sentia mal quando fazia provas de matemática na escola, na quarta série. Minha mãe ficou preocupada, naquela época, e me levou a um médico homeopata, que me passou uma “fórmula” e eu usei essa “fórmula” por toda a minha adolescência até entrar na faculdade.


Quando eu comecei a faculdade, eu abandonei essa ideia de que eu precisava de ajuda, já me sentia bem e estava vivendo uma “primavera encantadora”. No entanto, a minha primavera encantadora acabou e deu início ao que parecia ser o inverno mais longo de toda uma existência. Eu terminei um noivado de forma abrupta e intensa, estava sozinha em uma cidade nova, não tinha o total apoio da minha família porque eles moravam em outra cidade e não tinha amigos de longa data por perto, pessoas que me conhecessem antes daquele relacionamento para tecer uma comparação acerca da “Laura antes” e da “Laura depois”. Não havia nada além do meu corpo que pudesse me alertar para o que estava por vir, mas eu não o conhecia, eu não me conhecia e, portanto, nem eu mesma sabia tecer a comparação de antes e depois.

Me pergunto, hoje, como é possível que eu tivesse 26 anos e não fizesse a menor ideia de quem eu era, do que me fazia bem ou do que me fazia mal.


Autoconhecimento, pra mim, era saber qual a minha cor preferida, quais as comidas, músicas e estilos de roupa eu mais gostava. Era eu saber me definir como extrovertida, geminiana e amante da literatura. Mas nada disso que eu sabia sobre mim podia me ajudar a enfrentar aquele inverno que crescia por dentro, me levando dia após dia à beira de um precipício onde, mais tarde, eu não via nenhuma saída a não ser pular.

Fazer provas de matemática, prestar concursos, alguém dizer “preciso conversar com você” e meio milhões de pequeninas coisas faziam com que meu dia simplesmente se transformasse de ensolarado em nublado e frio. Eu me transformava, entrava em um mundo só meu, onde a reflexão acerca das minhas incapacidades era constante e ininterrupta. Eu não conseguia me concentrar no que eu podia fazer e só conseguia raciocinar sobre as minhas falhas, medos e pequenos fracassos do cotidiano.


Acho que eu comecei a perceber que o meu caso era “grave” quando, no trabalho, eu deixei minha calculadora cair no chão e ela quebrou. Dias antes eu tinha quebrado uma taça de cristal, cujo valor sentimental era imenso e este fato não me incomodou tanto. Mas quando a calculadora quebrou, eu me senti o pior ser humano da terra. Era como se eu fracassasse em tudo o que eu me dispunha a fazer, como se as tarefas do dia a dia fossem difíceis demais para executar e coisas simples como tomar banho ou me levantar para trabalhar fossem um fardo imenso e pesado a carregar. Eu peguei a calculadora no chão e, quando constatei que não tinha como colar, eu chorei muito. E eu vim pra casa péssima, chorei ainda mais quando deitei na minha cama. Eu vivi um luto que, no início era por aquela calculadora, depois por todas as coisas que eu havia quebrado antes dela e por todas as outras que eu ainda quebraria ao longo da vida.


Aquela calculadora não caiu das minhas mãos em vão. Talvez fosse Deus querendo me mostrar que as coisas não iam bem, porque não era comum entrar em estado de luto por uma calculadora. Eu estava somatizando, reunindo todos os eventos e pequenos fracassos da minha vida desde a adolescência e colocando-os em uma mochila nas minhas costas. E a mochila ia ficando cada dia mais pesada, mais difícil de carregar sozinha. Mas eu acreditava que eu precisava ser capaz de lidar com minha própria bagagem, afinal, a vida era uma viagem que se fazia sozinha, na minha concepção àquela época. Eu fui me recolhendo, entrando pouco a pouco no meu próprio universo e me fechando para novas pessoas e oportunidades porque eu não achava justo expor as pessoas à minha volta ao que eu sentia e representava àquela altura da minha vida. Eu não me alimentava direito, marcava mil compromissos e desmarcava com a mesma rapidez, sentia que eu não era capaz de avançar ou evoluir em nenhuma área da minha vida. Não conseguia mais escrever, que sempre fora a minha paixão. O espelho se tornou meu pior inimigo e eu não encontrava mais prazer em nada, não tinha ânimo para fazer o que quer que fosse mas, em contrapartida, eu queria me mexer para sair daquela situação.


Eu já precisava de ajuda e comecei a frequentar o psicólogo, fazer auriculoterapia, tomar florais e aprender a meditar. Mas isso ainda não me ajudava, eu precisava de algo que me ajudasse a não ter mais tanto medo da ansiedade, precisava desmistificar aquele gigante poderoso que se abatia sobre mim incontrolavelmente. Permaneci aberta às pessoas que já estavam em minha vida, com a minha alegria e disposição para festas, mas por dentro tudo era caos absoluto, caminhos erroneamente trilhados, erros irreparáveis sendo trazidos à tona e todas as decepções amorosas se juntando a eles. Sozinha, eu abria um vinho e colocava uma música alta para não ouvir o que o meu corpo gritava e, quanto mais ele gritava, mais eu aumentava o som. Eu não queria ser ansiosa, eu não queria estar em depressão! Eu tinha sido tão forte anos atrás, quando tantas coisas ruins haviam desabado sobre mim, não era justo que eu sucumbisse agora, não era o momento de estar ou ser frágil. Não podia me permitir, não podia perder aquele posto de guerreira para receber o título de deprimida/ansiosa.


Muitos anos depois do início da faculdade e do rompimento do meu noivado, que foi em 2010, me envolvi com alguém que não tinha a menor condição de lidar com tudo o que eu estava vivendo. Mas nenhum de nós dois sabia o que eu estava vivendo e menos ainda até onde poderia chegar a desordem que se instalava pouco a pouco dentro de mim. Infelizmente, o que poderia ter sido um sonho, se transformou em um pesadelo, fazendo com que cada um dos meus dias se parecessem ainda mais nublados do que os anteriores. Eu jamais atribuiria a ele alguma culpa de tudo o que vivi, porque o estado desconexo em que eu me encontrava quando decidi pelo rompimento já estava totalmente instalado desde antes de sua entrada em minha vida. Ele tinha as suas próprias dificuldades e eu, com as minhas, era incapaz de ajudá-lo e até suponho que tenha sido mais prejudicial do que servido de ajuda. Eu preciso tocar nesse assunto, embora com muito cuidado, para que você entenda que, quando a gente está ferida, a gente fere as pessoas. Por outro lado, quando a gente está curada, saudável, a gente pode curar pessoas.


A depressão não se preocupa em bater na porta para entrar, ela sequer precisa da porta aberta. Você não precisa autorizar a ansiedade para que ela entre na sua vida como uma enchente, molhando e tirando do lugar tudo o que você pensava saber sobre si mesmo, alterando o seu humor, modificando sua personalidade e bagunçando uma vida que, até então, parecia perfeitamente em ordem. O que eu não sabia é que nada estava em ordem dentro de mim. Minhas gavetas sempre foram impecavelmente arrumadas, mas por dentro a desordem e o caos estavam instalados de uma forma que só precisavam do momento certo para reinar. E o momento certo foi aquele: trinta e um de dezembro de 2019.


Eu decidi passar o ano novo na minha casa, sozinha, pela primeira vez. Me parecia uma decisão sensata, madura e inofensiva. Fui à igreja, preparei meu próprio jantar de despedida daquela ano e comemorei sozinha assistindo a série que eu gostava. Abri um espumante, não consegui tomar mais do que uma taça: era hora das resoluções, afinal, eu havia decidido ficar sozinha justamente porque precisava repensar todo o meu modo de vida até ali. Eu já havia percebido, irremediavelmente, que havia algo de errado dentro de mim e que eu precisava consertar.


Desse modo, a minha primeira resolução de ano novo foi instituir, como algo irrevogável, o rompimento com tudo o que me fazia estar mais ligada às minhas incapacidades do que às minhas oportunidades de sucesso, sem mais delongas ou ressalvas, e esta decisão foi como tentar tirar da pele uma tatuagem com uma faca afiada: muita dor e imperceptível resultado. Até ali eu fingia estar totalmente desapegada daquele relacionamento que começara anos atrás, quando na verdade, eu estava parada no tempo, vivendo um momento que já tinha passado, relendo uma história que já tinha chegado ao fim. E, portanto, esta foi a oportunidade perfeita para tudo aquilo que já estava latente dentro de mim: a ansiedade surgiu avassaladora.


Três dias após o início do novo ano, o tão aguardado dois mil e vinte, começava a minha saga em busca de um diagnóstico para as dores no peito, para a ausência de fome e dificuldade para comer - eu sentia dor física quando ingeria qualquer alimento, para o coração acelerado e para as vertigens. Eu passei quase duas horas e meia no consultório do gastro que analisou meus exames, visto que eu fiz uma endoscopia cujo resultado não foi muito positivo. O doutor conversou comigo exaustivamente, me fazendo todo o tipo de perguntas que, até ali, nenhum médico havia feito e ele chegou à conclusão de que nada do que eu sentia estava relacionado ao meu corpo, fisicamente falando. Me orientou a procurar um psicólogo e destacou a importância de fazê-lo imediatamente, antes que outra crise fosse iminente. Eu comecei, timidamente, a procurar ajuda e fui compreendendo que eu também poderia me ajudar, desde que aceitasse e compreendesse o que estava acontecendo dentro de mim.

Eu passei seis dias entrando e saindo de hospitais, UPA’s e consultórios médicos. Fui examinada por clínicos, gastros e cardiologista, fiz uma bateria de exames como eletrocardiograma, raio x, diversos tipos de ultrassom e, no final do quarto dia, minhas veias simplesmente já não existiam de tanto fazer exame de sangue e tomar remédios e soro.


O diagnóstico do gastro foi bem claro: eu estava com uma esofagite mas nada que fosse tão grave a ponto de me levar para o hospital. Caso típico de crise de ansiedade em que a pessoa não entende o que está sentindo e, portanto, não sabe o que fazer pra se sentir melhor, pra sair da crise e não piorá-la ainda mais.

Enfim, quando eu fui diagnosticada como ansiosa, eu comecei a perceber que eu não me conhecia, eu não conhecia meu corpo e não reconhecia os sinais que ele emitia, não conseguia traduzir, por assim dizer, a linguagem que meu corpo usava para pedir ajuda. Se eu tivesse percebido antes, se eu tivesse compreendido os sinais que meu corpo emitia, talvez eu não tivesse enfrentado aquela semana. Eu percebi que precisava encontrar um meio de me antecipar às crises, eu tinha que descobrir um método de prevenção, por assim dizer, para não entrar uma crise como a mais grave que eu já tive até hoje.


Quando nos conhecemos bem, fazemos escolhas melhores, somos mais produtivos e, em consequência, mais felizes. O caminho do autoconhecimento faz com a gente se acolha, se estimule e se fortaleça. Com a plena consciência de quem somos e do que somos capazes, é muito fácil planejar estratégias em busca de qualquer objetivo, até mesmo se o seu objetivo for aprender a lidar com ansiedade e depressão. Quando você deixa de lado pensamentos como “não sou forte o bastante para vencer a ansiedade”, “não sou bom o suficiente para esta vaga de emprego” e “meu sonho está distante demais para ser conquistado” e os substitui por pensamentos mais positivos e motivadores, a sua realidade começa a mudar. No entanto, a gente só consegue ter essa mudança de postura, só consegue abandonar esses pensamentos ruins, quando se conhece e sabe que é bom o suficiente para aquele emprego, que o sonho está ao nosso alcance sim e, principalmente, que a ansiedade não é maior do que nós.

Em contrapartida, questionamentos vindos de outras pessoas como “Você não acha que é muito melhor do que essa ansiedade/depressão?” ou “Você é uma pessoa tão inteligente, como não consegue ver que só depende de você?” fazem com que o nosso cérebro comece a se questionar “Será que sou mesmo?”. Nós, ansiosos, precisamos de incentivos, de atitudes que possam ajudar, não de mais questionamentos sem fundamento. Porém, como você vai observar, este livro está repleto de questionamentos. Mas são, por assim dizer, questionamentos do bem, que podem ajudar você a identificar coisas que, talvez, você não identificasse sem eles. São perguntas, respostas e reflexões que podem fazer você se enxergar como quem você realmente é, e conseguir se ajudar.


As enfermidades emocionais existem e você pode aprender a lidar com elas, da mesma forma que existem os temporais e você não pode fazer nada para evitá-los, mas pode levar uma sombrinha na bolsa ou não sair de casa enquanto a chuva não diminuir. Quando queremos ficar mais fortes, vamos à academia, certo? No caso da nossa mente, não temos como elaborar um “treino”, mas podemos observá-la, estudá-la e conhecê-la a fim de aprender a lidar com nossos desejos, traumas e dificuldades, exercitar nossa mente para não agirmos impulsivamente diante de uma frustração, para não nos culparmos pelo que não somos culpados e, por fim, para deixarmos para trás uma postura que evidencia somente nossos pequenos fracassos e não valoriza nossas vitórias do cotidiano. Afinal, todos os dias somos vencedores nos mínimos desafios e eu percebi isso quando, sozinha, aprendi a fazer a troca do refil do meu purificador de água. Fazer aquilo sozinha, embora pareça uma bobagem diante da nada complexa tarefa, me motivou a me incentivar pelas pequenas vitórias, pelas pequenas conquistas, mesmo aquelas às quais ninguém nunca ganhou um prêmio ou foi reconhecido nacionalmente. Eu percebi que, quando eu mesma reconhecia meus esforços e me recompensava por eles, me sentia motivada a fazer mais.


Para além disso tudo o que eu já disse até aqui, eu aprendi, ou melhor, eu descobri algo sobre mim que me fazia ir cada vez mais fundo em um sentimento de ansiedade e de culpa e eu não conseguia ver. Eu nunca superei, da maneira certa, o fim do meu noivado. Foi um término angustiante, envolveu violência física e agressões verbais de ambas as partes. Mas eu decidi que eu não ia deixar aquilo me abalar e coloquei um muro entre esse sofrimento e eu, não me permitindo viver o luto daquele rompimento que, por dentro, era tão doloroso. Mas esse muro não era perfeito, ele tinha rachaduras, fissuras por onde os sentimentos ruins entravam, fazendo com que eu desse, a cada dia, um passo maior do que o outro, me distanciando da superação. Eu tinha muita mágoa, muita vergonha, muito arrependimento dentro de mim. Eu tinha dores emocionais e físicas do outro lado do muro e elas precisavam entrar, transbordar. Toda doença precisa de cura! Mas eu não queria estar doente, não queria me sentir traída, trocada, humilhada e eu decidi ignorar esses sentimentos ao invés de curá-los. Entende onde foi que eu errei? Eu peguei uma infecção e preferi fingir que não estava vendo, não fui ao médico, não tomei remédios. Só fiquei ali sentada esperando passar, desejando que sumisse, mas quanto mais eu pensava nisso, quanto mais eu esperava que passasse, maior aquilo ia se tornando. Esses sentimentos queriam passar por cima do muro, a qualquer custo e, para isso, eles precisavam crescer. E eles foram crescendo, crescendo, até ficarem absurdamente maiores do que eu. E, um belo dia, não se contentando mais em passar pelas rachaduras, eles pularam o muro e me invadiram.

Quando eles passaram por cima do muro, como uma enchente, eu percebi que não precisava de cura para o meu corpo, mas para as minhas emoções. Sim, isso mesmo! Emoções precisam ser curadas! E como se cura isso? Terapia, meditação, atividade física, amor próprio, autoconhecimento, autoaceitação e mais um milhão de coisas que você pode fazer para se curar também, além de muita fé. É claro que alguns amigos e minha família viram as minhas lágrimas, antes que eu construísse o muro que me separava das minhas emoções, viram que eu estava travando uma batalha contra aquele sofrimento, só não podiam perceber que eu estava construindo um muro para me isolar das minhas emoções negativas. Então, infelizmente, não podiam me ajudar. Por isso, hoje, eu decidi escrever tudo isso. Pra mostrar para pessoas que constroem muros, que elas não precisam de muros e sim de cura, que elas não precisam de culpa e sim de perdão, que elas não precisam de arrependimento e sim de gratidão.


Comecei a minha busca pelo autoconhecimento quando assimilei que a gente só pode lutar por alguma causa se conhecer tudo a respeito dela e, para lutar por mim, eu precisava saber tudo o que me motivava, tudo o que me fazia ficar bem ou mal, precisava encontrar os gatilhos que me levavam a uma crise ou o que poderia me tirar dela. Muitas respostas que procuramos estão dentro de nós mesmos e não do lado de fora. Por isso, quando eu comecei a trilhar os caminhos do autoconhecimento, comecei a me perguntar de onde vinha tudo aquilo que eu sentia, qual era a origem de cada pensamento negativo. As perguntas sobre quem eu realmente era e o que eu queria pra minha vida, iam surgindo cada vez com mais intensidade, cada dia sob um ângulo diferente. Por que me entregava tanto em relacionamentos rasos, superficiais, depois sofria, chorava, quase morria? Eu precisava entender porque eu fazia isso. Porque eu me entregava cem por cento para relacionamentos que não mereciam quase nada?? Porque eu não queria encarar o fato de que eu não estava bem, de que eu não era feliz sozinha porque eu não me amava.


Eu descobri, sobre mim, coisas tão lindas, que acabei me apaixonando pela pessoa que eu sou e perdoando a pessoa que eu fui. Sabe aquele sentimento de admiração que você tem por uma pessoa que superou uma dor, que cresceu, que fez o melhor que pôde? Aquela admiração que você tem por pessoas fortes, por pessoas que batalham para conquistar seus sonhos? Pois é! Eu descobri coisas sobre mim que eu não fazia ideia. E eu fui me libertando da culpa, do arrependimento de ter entregado meu coração em vão tantas e tantas vezes, fui me perdoando pela construção daquele muro e tirando todos os dias um tijolo daquela construção e me desfazendo dele. Na terapia, percebi que se abrir pode fazer você falar coisas que nem pensava sentir. Um tijolo a menos. Na meditação, compreendi que o silêncio faz um bem incomensurável, porque quando você silencia o lado de fora, pode ouvir o lado de dentro. Outro tijolo pra longe de mim! Na fé, eu descansei em paz com a certeza de que eu venceria essa luta, porque o Deus que me criou não me criou para o sofrimento e sim para a felicidade. E aí foram muitos tijolos lançados fora! Na caminhada… ah, gente! Na caminhada eu descobri que atividade física tira você do olho do furacão! Que a atividade física, que pode ser difícil no começo, vicia de um jeito bom, porque você aprende a gostar do que sente quando volta pra casa.


Acho que, cada um de nós pode encontrar uma maneira diferente de curar aquilo que dói e, para isso, é preciso mergulhar no autoconhecimento. Ao se conhecer melhor, você consegue tirar o foco das suas incapacidades e direcioná-lo para os seus dons e qualidades, se tornando mais eficiente e dedicado naquilo que você pode e sabe fazer. Isso traz mais motivação para o dia a dia! Quando você começa a ter certeza de quem você é, quando começa a admirar a pessoa que vê no espelho, a ansiedade começa a perder o domínio que exerce sobre você e todos os seus pensamentos. Quanto mais você conhece o seu interior, mais está preparado para o que vem de fora. À medida em que evoluímos na busca pelo autoconhecimento, nos tornamos capazes consciente e inconscientemente de encarar com uma postura mais firme e menos vacilante os desafios, imprevistos, desentendimentos e rompimentos, sejam eles na esfera que for; você começa a usar as dificuldades da sua vida para descobrir quem você é e percebe que, superar as dificuldades não te tornam apenas mais forte, mas também mais esperançoso e grato. Manter o foco no autoconhecimento faz com que você não deixe de observar o mundo ao seu redor captando a mensagem que seu cérebro recebe a cada estímulo externo. Além disso, quando comecei a exercitar a gratidão diante os pequenos acontecimentos, fui percebendo outras vitórias que não percebia antes, ou seja, quanto mais eu me sentia grata, mais eu tinha motivo para agradecer.


Mas eu descobri que a gente só conhece alguém de verdade depois de muita observação, convivência e conversa, certo? Então, eu precisava fazer tudo isso comigo mesma e, por isto, eu fui me permitindo, fui me analisando e buscando me conhecer melhor, me tornar minha melhor amiga. De todo o meu coração, espero que você encontre aqui alguma ajuda, algo como uma luz no fim do túnel e possa, depois de curar a si mesmo, espalhar cura e empatia ao seu redor. Sentir compaixão, ter empatia, é querer que o outro se liberte de todas as dores, de todos os sofrimentos que você mesmo já se libertou. Não desista de si mesmo, não desista dos seus sonhos. Deus tem planos lindos para a sua vida, acredite, tenha fé.

“Porque sou eu que conheço os planos que tenho para vocês", diz o Senhor, "planos de fazê-los prosperar e não de lhes causar dano, planos de dar-lhes esperança e um futuro.”

Jeremias 29:11


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