• Laura Assis

Renascida das cinzas

Aos dezenove eu não fazia ideia de que meu coração se quebraria muito mais vezes do que eu poderia contar nos dedos

Não poderia supor que choraria sentada na escada da casa da minha mãe por muitas vezes além daquele primeiro rompimento

Nós dois, sentados na escada, chorando a tristeza mais pura e dolorosa que podíamos sentir naquele momento

As canções do Djavan morriam ali, junto do som de Pearl Jam, junto das noites horrorosamente frias

A pureza daquele sentimento e toda a minha fragilidade diante das coisas não prometidas por ele

Toda a minha involuntária insensibilidade para perceber as coisas que realmente deveriam importar naquela idade

A minha pressa de ser feliz e de começar a construir sonhos e castelos, de ir embora, sair do campo e abraçar o mundo

Tudo isto me trouxe até aqui, nesta rua de pedras com esta luz cambaleante, segurando a sombrinha fechada, inútil

Todas as vezes que me atirei ao precipício do amor, todas as vezes que insanamente perdoei o que não deveria ser perdoado

Todas as vezes em que me sentei outra vez nos degraus daquela escada verde e chorei até quase ficar sem fôlego

Todas as vezes que pensei, tola, que não havia nascido para o amor e jurei por todos os santos não amar outra vez

Todas as lágrimas que derramei por amor - ou pela falta dele - me fizeram caminhar até este portão enorme

Que se abre agora para mim e me mostra o sol do outro lado, me sorrindo através de um lindo arco multicolorido

Onde posso descansar nos braços de um velho amor, de onde posso me lançar mais uma vez ao precipício

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